Um dos elementos da linguagem audiovisual mais importante de ser pensado é o plano. O plano nada mais é do que o enquadramento da imagem, isto é: aquilo que escolhemos mostrar em nossa imagem. Uma sucessão de plano forma uma sequência, e esta sequencia de planos conta uma história, mesmo sem diálogos, música, ou outro tipo de som.
O exemplo abaixo foi realizado a partir de uma oficina de produção audiovisual na EJA/PMF, núcleo Norte 1, em Florianópolis.
Abaixo listamos exemplos dos tipo de planos (enquadramentos) cinematográficos mais comuns nas produções audiovisuais, seja no cinema, ou em outras plataformas; sejam tais produções ficcionais ou de documentários. O material foi extraído do site www.primeirofilme.com.br, que abriga um projeto de fomento da produção audiovisual em escolas públicas. O projeto teve financiamento público para acontecer, e promove um festival com os filmes produzidos nas escolas.
Tipo de planos cinematográgicos:

Plano geral (PG) – “Com um ângulo visual bem aberto, a câmera revela o cenário à sua frente. A figura humana ocupa espaço muito reduzido na tela. Plano para exteriores ou interiores de grandes proporções”.

Plano médio (PM) – “A câmera está a uma distância média do objeto, de modo que ele ocupa uma parte considerável do ambiente, mas ainda tem espaço à sua volta”.

Plano fechado (Close Up) – “A câmera está bem próxima do objeto, de modo que ele ocupa quase todo o cenário, sem deixar grandes espaços à sua volta. É um plano de intimidade e expressão”.

Meio primeiro plano (MPP) – “A figura humana é enquadrada da cintura para cima”.

Plano americano (PA) – “A figura humana é enquadrada do joelho para cima”.

Primeiro plano (PP) – “A figura humana é enquadrada do peito para cima”. Algumas pessoas podem entender como sendo um Close Up.

Primeiríssimo plano (PPP) – “A figura humana é enquadrada dos ombros para cima. Também chamado de big close up ou big close“.

Plano detalhe (PD) – “A câmera enquadra uma parte do rosto ou do corpo (um olho, uma mão, um pé, etc.). Também usado para objetos pequenos, como uma caneta sobre a mesa, um copo, uma caixa de fósforos, etc”.
Altura do plano
É possível também refletirmos e criarmos nossas composições e enquadramentos pensando sobre a altura dos planos. Neste caso teríamos basicamente as seguintes possibilidades:

Ângulo normal – quando a imagem está no nível dos olhos da pessoa que está sendo filmada.

Plongée – “(palavra francesa que significa mergulho) – quando a câmera está acima do nível dos olhos, voltada para baixo. Também chamada de câmera alta”.

Contral-plongée – “(com o sentido de “contra-mergulho”) – quando a câmera está abaixo do nível dos olhos, voltada para cima.”
Outras questões relacionadas ao ângulo dos planos
Ainda sobre o ângulo dos planos sugerimos o estudo das seguintes possibilidades:

Frontal – “a câmera está em linha reta com o nariz da pessoa filmada”.

3/4 – “A câmera forma um ângulo de aproximadamente 45 graus com o nariz da pessoa filmada. Essa posição pode ser realizada com muitas variantes.”

Perfil – “A câmera forma um ângulo de aproximadamente 90 graus com o nariz da pessoa filmada. O perfil pode ser feito à esquerda ou à direita”.

De nuca – “a câmera está em linha reta com a nuca da pessoa filmada”.
Multiplas combinações
Por fim, podemos pensar em variadas combinações entre tipo de enquadramento, altura e ângulo. Seguem alguns exemplos.

“Plano americano, contra-plongée, quase perfil”

“Meio primeiro plano, contra-plongée, 3/4”

“Primeiro plano, contra-plongée, 3/4″

“Meio primeiro plano, plongée, perfil”
Enfim, aqui damos asas à nossa imaginação, e talento de composição de imagens em diferentes ângulos, enquadramentos e alturas. O site https://www.primeirofilme.com.br/ traz ainda uma última dica preciosa sobre a questão dos planos. Trata-se da ideia do “extra-quadro”. Daquilo que acontece fora do alcance do enquadramento, mas que influencia nossa visão do que está sendo mostrado no quadro:
“Uma outra noção importante é o EXTRA-QUADRO, aquilo que não está sendo mostrado pela câmera, mas que pode ser imaginado pelo espectador, ou registrado pelo som. Dizemos que alguém ou alguma coisa está FORA DE QUADRO (FQ), ou OFF, quando não está visível naquele enquadramento, mas faz parte da história. Em livros sobre linguagem de cinema, as expressões FORA DE QUADRO e OFF assumem significados distintos, mas não vale a pena perder tempo com isso”.
Movimentos de câmera
Outra noção fundamental da linguagem do audiovisual que podemos utilizar para enriquecer nossas produções são os “movimentos de câmera”. Isso diz respeito a imaginar como a câmera pode se deslocar, se movimentar dentro do espaço do filme, levando o olhar do(a) espectador(a) junto.
Os principais e mais comuns tipos de movimento de câmera são os seguintes:
Panorâmica (PAM) – a câmera se movimenta no seu eixo – o aparelho não se move, mas a imagem se desloca da direita para a esquerda ou da direita para a esquerda; do mesmo modo a imagem pode se movimentar de baixo para cima, ou de cima para baixo.
Travilling – literalmente significa “viajando”. Tradicionalmente a câmera é presa a um carrilho que desliza sobre trilho. Vale dizer que podemos realizar esse tipo de movimento de câmera mesmo sem termos trilhos para utilizar em nossa produção. Basta simular o movimento de um trem, com a câmera fixa.
Zoom in e zoom out – a câmera está fixa e usa seus recursos de aproximar a imagem por meio do zoom (zoom in), ou inicia a imagem ampliada pelo zoom e vai recuando, tirando aos poucos o efeito do zoom (zoom out).
Por enquanto é isso pessoal. Praticando os diferentes tipo de enquadramento, ângulos e altura já podemos criar muita coisa legal usando apenas a câmera de um smartphone.
Deixo como sugestão um vídeo que mostra mais um pouco sobre os enquadramentos, e sobre os movimentos de câmera. Abraço a todos(as).

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