Roteiro inicial de um projeto de pesquisa

Inspirado na metodologia utilizada na Educação de Jovens e Adultos da Prefeitura de Florianópolis (EJA/PMF)

Para apresentação deste roteiro inicial de pesquisa incluimos um pequeno poscast sobre a questão. Na sequência publicamos o mesmo conteúdo em forma de texto.

1.1) Problemática

Uma problemática é a formulação de um problema de pesquisa em forma de pergunta. Um tipo de pergunta para a qual não encontramos resposta em cinco minutos. Trata-se de um problema de pesquisa que exige um trabalho de pesquisa que articule tópicos diversos para ser resolvido.

Se vocês consultarem um dicionário vão descobrir que uma das possíveis definições de problemática é a de (abre aspas) “um conjunto de problemas” (fecha aspas).

Portanto, da maneira como estamos definindo aqui uma problemática é uma pergunta que traz um problema para ser investigado, e se possível solucionado.

Posso citar alguns exemplo de problemáticas para vocês tentarem perceber a diferença entre uma problemática e uma pergunta que não se constitui como uma problemática:

  1. Por que é tão difícil acabar com o desmatamento nos biomas brasileiros?

ou

  1. Por que ocorre tanto desmatamento na Amazônia, e o que podemos fazer para combatê-lo?

São perguntas portanto que trazem dentro de si problemas para serem resolvidos. Que relacionam ao menos duas questões, dois tópicos que articulam o problema em foco.

Por outro lado, como exemplo do que NÃO seria uma problemática poderíamos citar as seguintes perguntas:

1. Onde ocorre mais desmatamento no Brasil?

ou

2. Qual a principal causa do desmatamento no Brasil?

Estas últimas são perguntas muito objetivas, e para as quais uma rápida pesquisa na internet traria resposta. Elas não são, portanto, problemáticas de pesquisa.


1.2 – Justificativa:

É a explicação detalhada dos motivos pelos quais decidimos investigar a problemática elaborada por nós. A justificativa nos ajuda a compreender melhor nossas próprias razões para investigar uma determinada problemática, ajudando também, de forma decisiva, a definir melhor o foco desta mesma problemática.

Quanto mais elaborarmos a justificativa, mais visível ficará para nós mesmos o foco de nossa problemática ou eventuais mudanças que possamos fazer nela.

Quanto mais entendermos nossas razões mais evidente ficará para nós mesmos o SENTIDO, as RAZÕES PELAS QUAIS QUEREMOS ESTUDAR tal problemática, e a pesquisa tende a ficar mais prazerosa, mais interessante.

1.3 – Hipótese:

A hipótese é uma possível resposta que possamos imaginar para a problemática de nossa pesquisa. A ciência se constrói inicialmente com base em hipóteses, mas que necessitam ser comprovadas por meio do estudo, de experimentação, verificação e pesquisa. O exercício de elaboração de hipóteses é um importante exercício de liberdade criativa e de construção de pontos de partida para o avanço da ciência e da produção de conhecimentos.

Ao final da pesquisa poderemos verificar se nossas hipóteses estavam corretas ou equivocadas (total ou parcialmente).

1.4 – Saberes prévios:

Tudo aquilo que já sabemos, ou imaginamos saber sobre o universo que envolve nossa problemática de pesquisa. Assim como a hipótese, estes saberes prévios podem ser comprovados ou negados (total ou parcialmente) durante a pesquisa. 

A elaboração dos saberes prévios pode ser muito interessante para percebermos mais facilmente onde estávamos antes da pesquisa, e o quanto conseguimos avançar em nossos conhecimentos sobre a problemática estudada ao final da pesquisa. 

O próximo passo da criação de um projeto de pesquisa nos moldes metodológicos utilizados na EJA/PMF é a criação de um mapa conceitual da pesquisa. Para saber mais sobre isso clique aqui.

Você pode também se aprofundar um pouco mais em elementos da formulação de projetos e dos ciclos de pesquisa com base na proposta da EJA/PMF clicando aqui.

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